30/05/2010

O sentido da vida

Flamenco Dancer III
by Fabian Perez
Li uma vez num livro que os gregos, quando morria alguém, eram parcos nos "elogios fúnebres", cingindo-se a uma simples questão: Esta pessoa teve paixão?
Quando uma vida chega ao fim, independentemente do sexo, idade ou condição social importa mais saber se esse Ser viveu com paixão. Não importa o(s)objecto(s) da sua paixão, importa sim se aquilo que fez foi feito apaixonadamente.
Por qualquer motivo que desconheço em mim e para o qual pouco contribuo, pois está intrínseco ao meu ser, tudo (ou quase, ou melhor o mais importante...) é feito com paixão. Desde o trabalho ao mais simples gesto, o que alcança mais sucesso é o que tem de mim uma dedicação apaixonada. 
Na prática os meus amigos e conhecidos acham-me uma pessoa fora do normal; alguns acham-me esquisita, outros desadequada à realidade, outros ainda uma pessoa singular.
Acredito que temos o livro arbítrio sobre os nossos actos; mas também acredito em coisas tolas como acasos, coincidências, almas gémeas, maldade, inveja e outras coisas mais: umas boas e outras o inverso.
Nesta minha viagem pela vida conto com muitas batalhas, algumas derrotas e algumas vitórias. Já perdi e reencontrei a esperança, já fui muito infeliz, muito feliz e medianamente feliz.
Já venci impossíveis, sou abençoada, mas já fui duramente atingida. Imagino que tudo terá um propósito que  a minha inteligência de humana não consegue alcançar. 
Não obstante as mágoas, os tropeções as perdas e as ausências posso afirmar com toda a certeza que amei e fui amada;  amor de alma gémea, amor inconfundível...Não interessa o tempo nem a forma como esse amor foi vivido, a verdade é que ele foi sentido e essa é uma sensação única e muito especial, só compreensível para quem a vivenciou também.
A vida pede-nos a todo o momento que desçamos à terra e sigamos em frente. Outras relações se colocam no nosso caminhos, outros amores, outros sentires, outras felicidades...
Porque escrevo sobre isso?
Porque ontem tive um encontro de antigos colegas da faculdade, 20 anos? quase...
Circunstâncias que não vêm ao caso fizeram que eu e Maria ficássemos sozinhas por um tempo. Aí soube que conseguiu pôr fim a um casamento de mais de 30 anos, uma das mais difíceis decisões, e que hoje está muito feliz. Porquê?
A história de Maria fez-me pensar:
Há mais de 30 anos namorou Pedro, um "arrufo" separou-os. Entretanto apareceu o galã que havia de ser o seu marido e pai das suas filhas; Maria seguiu a sua vida, e não fora as vezes em que se encontrava com o João, não saberia nada de Pedro. João dizia por brincadeira, olha que tu foste o grande amor de Pedro.Mas nesta altura já ambos estavam casados e com filhos e isso apenas servia para sorrir.
Mais de 30 anos depois, Maria estava demasiado em baixo quando recebeu a notícia que João tinha morrido. De rastos foi a o funeral, e foi aí que reencontrou Pedro, também a refazer-se de um divórcio.
Hoje Pedro e Maria estão juntos, o seu olhar brilha. E, antes que eu fizesse algum comentário disse-me: "quem havia de dizer que eu ia acreditar em almas gémeas? percebo agora o que tu dizias sobre a diferença entre viver com paixão..."
Porque os anos avançam, ao final de cada dia pergunto-me "vivi este dia com paixão?"

25/05/2010

Vida complicada

De facto a vida está complicada mas, o gato escusava de exagerar...


24/05/2010

O ridículo a nú …


imagem daqui

Portugal hipócrita: o país em que mais vale furtar e ser apanhado em vídeo do que ser fotografada a mostrar o pipi numa revista.
A comparação não será a ideal, alguns dirão que é pura demagogia. Mas pelo menos é elucidativa do tratamento algo desfasado que as nossas autoridades dão a dois casos, um mais grave que mete electrónica e outro mais divertido que envolve nudez. Pipi e os gravadores poder-se-ia chamar este filme.
 No mesmo país em que assistimos ao furto de dois gravadores por um deputado da Nação, sem que o acto tenha consequências profissionais para o senhor, vemos uma professora ser suspensa de imediato porque mostrou o pipi e as maminhas na revista Playboy.
O mais grave é que o furto parece ter sido efectuado no interior das instalações da AR e ao que consta a professora não terá realizado a sessão fotográfica na sala de aula ou no recreio com a pequenada toda a bater palmas enquanto jogava à macaca.
O deputado Ricardo diz ter praticado "acção directa" para defender a honra, já a professora Bruna perdeu a honra ao praticar a "acção directa" de despir a roupinha.
Temos por um lado uma professora que não pode continuar a lidar com crianças porque meia Mirandela e alguma malta de Valpaços a viu nua na revista Playboy e por outro um deputado que pode continuar sentado no quentinho da AR depois de todo o país o ter visto "abafar" dois gravadores da revista Sábado. É justo.
Com isto podemos deduzir que para vermos o deputado Ricardo Rodrigues ser suspenso de funções seria provavelmente necessário que este pousasse nu para uma revista feminina ou fizesse um strip-tease durante a comissão de inquérito PT/TVI. A mesma comissão onde vemos o Sr. deputado insistentemente apelar à moral e à legalidade.
Uma coisa é certa, se a "Stôra" Bruna fosse deputada tenho a certeza que não furtaria gravadores ou máquinas fotográficas a jornalistas, até porque provavelmente estaria nua e não teria bolsos para esconder o material. Já o Sr. Deputado, a menos que faça um Lap dance a Mota Amaral não vejo forma de ser admoestado.
Posto isto e fazendo o ponto final de situação:
- Ser professora e cumulativamente mostrar o pipi numa revista: NÃO.
- Ser deputado e furtar gravadores a jornalistas: SIM



Gravador Antigo
imagem daqui

Recebi por e-mail, desconheço o autor...

22/05/2010

O condomínio da Terra

Hoje não vos consigo visitar. O computador ou  a Internet estão  a falhar.
Regresso amanhã.





Leia o livro:



Descrição:
Das Alterações Climáticas a uma Nova Concepção Jurídica do Planeta.
A crise ambiental é, antes de mais, um problema do homem, que ao homem compete resolver.
Indispensável e urgente é tomar consciência de que existe uma deficiente adaptação das sociedades humanas às circunstâncias impostas pelo planeta que habitam, o qual é dominado por profundas e intricadas interrelações naturais.
"Condomínio da Terra" tem como objectivo conciliar os homens com o seu planeta, possibilitando a coexistência de soberanias autónomas num espaço colectivo, ou seja, um poder político, supremo e independente, relativo à fracção territorial de cada estado, e partilhado, no que concerne as partes comuns.
Paulo Magalhães alicerça a sua proposta na experiência jurídica, amplamente testada, da propriedade condominial, trabalhando-a à escala da Casa Comum da humanidade.



Editora: Almedina


Número de páginas: 154


Data: 2007

Idioma:
 Português

19/05/2010

Como abraçar um bebé

Instruções para abraçar um bebé: 

1. Primeiro, encontrar um bebé 

2. Segundo, assegurar-se de que o objecto que se encontrou é realmente um bebé empregando técnicas clássicas de olfacto. 
3. é necessário acomodar o bebé antes de começar o processo  de "abraço". 

4. Simplesmente acomodar-se ao redor do bebe e preparar-se para um possível "close-up"... 

5. Finalmente, se houver uma câmara presente, executar o difícil e patenteado "abraço-sorriso e a pose"  para alcançar a melhor foto. 


Recebido por e-mail.

17/05/2010


Imagem daqui
Os jacarandás floriram...
Indiferentes à crise e à maldade humana, aí estão eles: belos, coloridos, aromáticos, únicos... 
Lisboa está mais bonita. Sempre que vejo um jacarandá florido, o meu coração fica mais leve e sereno...
Deixo-vos também com estes lírios que recebi hoje. 
Lírios são uma das minhas flores favoritas.

14/05/2010

Coração de mãe

Dedico este post à minha amiga B. Recebi-o por e-mail num dia de coração fragilizado...
No dia em que o seu filho regressa desejo-lhe serenidade...
 O coração de mãe deseja sempre que os filhos regressem, mesmo que esse regresso implique, pro vezes, partir um pouco mais o coração...















13/05/2010

Os 5 sentidos...

GRUPO CORAL DE BALEIZÃO e a ORQUESTRA SINFÓNICA DE CÓRDOVA, ESPANHA
video

António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho):

MÁQUINA DO TEMPO

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

FALA DO HOMEM NASCIDO

(chega à boca da cena, e diz:)

Venho da terra assombrada,

do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

11/05/2010

Como imaginavam, em 1910, a vida no ano 2000

A "Biblioteca Nacional" francesa tem uma interessante colecção de gravuras de 1910 sobre como seria a vida no ano 2000…
Os sapatos tinham motor...
Os barbeiros eram robots...

Os carros voavam...
Existiriam videoconferências..
Nas obras, não haveria operários, só robots...

Haveria "drive-ins" para "carros voadores"...

Os alunos não teriam livros, mas sim audiobooks, se o
professor o quisesse (olhe para a cara do auxiliar…)

Os bombeiros voavam...
 fazer roupa, seria facílimo!…
As mensagens seriam fonográficas...
Os jornais seriam ouvidos, em vez de lidos...

09/05/2010

Um domingo como outro qualquer...

Julien Dupré, 00004461-Z
Julien Dupré
Se não fosse a chuva...
Este era o fim-de-semana que ambos tínhamos mais livre depois do intenso mês de Abril e do Junho que  se avizinha ainda mais exigente.
Planeámos, planeámos mas a meteorologia levou  a melhor. O cinema não oferece nada de novo, sem grandes discussões, decidimos ficar. Enquanto tento fazer o IRS ele arquiva papeis. Ouvimos Rusalka, escolhemos um bom vinho e sorrimos  - mesmo passados tantos anos o sorriso do Luís continua  a encantar-me -  os gatos de vez em quando abrem o olho,  meio a contragosto porque o tempo é de moleza e nada de grandes actividades.
-O que queres almoçar? perguntei pela manhã?
 - O que te apetecer...respondeu-me
- Está um dia "açordível", não achas?
Almoçamos tarde uma açorda de alho, bem alentejana.
Há tanto tempo que não tínhamos um fim-de-semana tão relaxante e tão simples, olhamos, sorrimos e sem dizer palavra continuamos, porque  a vida também é feita de momentos assim...

08/05/2010

Trova do vento que passa

 
Estava cansada, a madrugada pegou com o dia de trabalho, as reuniões e as decisões encadeavam-se. A energia faltava-me mas o dia, apesar de ir longo, ainda estava demasiado pequeno.
Larguei o computador, peguei no carro e, sem dizer nada a ninguém, fui até Belém beber a paisagem de um rio agitado mas sempre belo.
O dia estava ventoso, demasiado ventoso, porém, isso não me demoveu. A minha mente divagava quando uma folha de papel se prendeu no tornozelo. Sem saber porquê, em vez de fazer um gesto para que a folha continuasse o seu caminho, baixei-me e apanhei-a.
Comecei a ler, enquanto o fazia o meu coração apertava-se mais e mais, porque esta era uma carta que continha em si uma dor e uma mágoa profunda.
"Hoje cruzei-me contigo, olhaste para mim tão friamente que o meu coração gelou. Ah! Que é feito do teu olhar outrora tão doce?
Falaste comigo como quem fala com uma estranha, queria abanar-te, dizer-te: sou eu, não me reconheces, sou a que te amo, tu também me amas, lembras-te?
Queria gritar-te: não sou eu a causadora da tua infelicidade; um dia descobrirás que a pessoa que escolhestes para companheira da tua vida não passa de um monstro de uma macumbeira e olha que foi ela mesmo que mo disse. Com ela ninguém se mete, quem o faz arrepende-se cegamente. E ela escolheu-te, é tua dona e eu saí do teu caminho. Não és feliz com ela, mas segundo ela isso não importa, o que conta é que estás lá, ao seu lado; és dela e de mais ninguém.
Quem pode enfrentar um monstro assim? No dia em que descobrires quem ela é, estarei aqui meu único e grande amor…como diz a canção haja o que houver estarei aqui…
O dia de hoje foi para mim de Inverno, Inverno profundo e gélido, tal como gélido permanece o meu coração.
À noite como que por magia, olhaste para mim e o mundo parou, o teu olhar era o mesmo com que sempre me olhaste, tão doce, harmonioso e profundo. Quando me olhavas assim, o mundo parava e tudo era possível. Ali ficamos os dois abraçados como tantas vezes, olhando um para o outro, saboreando a imensidão do nosso amor.
Acordei e estremeci, tu não estavas e o meu coração continua gelado pelo gélido e desprezo do teu olhar.
Por favor acorda!”
Sempre tua X
Quem escreve assim, tem o coração partido.
Que Deus a abençoe!
Não consigo tecer comentário sobre esta história, mas senti uma enorme vontade de a escrever....
Regressei ao trabalho, mas até hoje ainda me sinto estranha e dei por mim a "rezar" pela X e pela luz no coração de todos.