13/05/2010

Os 5 sentidos...

GRUPO CORAL DE BALEIZÃO e a ORQUESTRA SINFÓNICA DE CÓRDOVA, ESPANHA
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António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho):

MÁQUINA DO TEMPO

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

FALA DO HOMEM NASCIDO

(chega à boca da cena, e diz:)

Venho da terra assombrada,

do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

3 comentários:

Justine disse...

Engraçada a coincidência: estive há pouco a folhear a "Obra Poética" do Gedeão, para escolher um poema para um próximo post:))
Um dos meus poetas preferidos!
Um abraço

A.S. disse...

Uma canção e um poema de Gedeão que ficarão para sempre como um simbolo que marca uma época, apesar da sua cada vez maior actualidade!!!

Beijos
AL

Lilá(s) disse...

Gedeão foi desde a minha adolencencia um dos meus poetas favoritos.
Bjs