O calor chegou. A natureza desperta a querer dizer-nos que a vida é um ciclo, logo não devemos perder a esperança.
As aves saltitam e voam alegremente.
Faço a minha viagem diariamente por Monsanto. Bonita viagem, sem dúvida!
A minha horta está a ficar tão bonita...
Hoje estava assim inspirada para escrever um texto inteligente e com algum interesse - pelo menos era a minha intenção...
Depois caí na asneira de ligar a televisão, ouvi sua excelência o Presidente da República e o rol de políticos sem cérebro e sem carácter que habitam o nosso país.
Fiquei sem palavras e pensei neste poema de Mário Cesariny
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte Há palavras imensas,que esperam por nós E outras frágeis,que deixaram de esperar Há palavras acesas como barcos E há palavras homens,palavras que guardam O seu segredo e a sua posição Entre nós e as palavras,surdamente, As mãos e as paredes de Elsenor E há palavras e nocturnas palavras gemidos Palavras que nos sobem ilegíveis À boca Palavras diamantes palavras nunca escritas Palavras impossíveis de escrever Por não termos connosco cordas de violinos Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar E os braços dos amantes escrevem muito alto Muito além da azul onde oxidados morrem Palavras maternais só sombra só soluço Só espasmos só amor só solidão desfeita Entre nós e as palavras, os emparedados E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida A minha face?
Chegou-me anonimamente, está bem escrito, com serenidade e inteligência; meto a viola no saco, e dispenso-me de acrescentar o que quer que seja.
Não precisa.
Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível , dinheiro no bolso . Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música, bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
nem dos qualquer_coisa_phones ou i_pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego , mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura, capacidade e competência, solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Um velhote com 90 anos fez o seu check-up anual e o médico disse-lhe: - Amigo, para a sua idade, está numa forma que eu nunca vi! O velhote respondeu:
- Sim. Porque sei levar uma vida cuidada, simples e espiritual! - Que quer dizer com isso?
-
Se não levasse uma vida cuidada e simples, Deus não me acendia a luz da
casa de banho cada vez que me levanto a meio da noite! O médico estranhou a resposta...
- Quer dizer que cada vez que se levanta a meio da noite para ir à casa de banho, é Deus quem lhe acende a luz!!?
- Sim! Cada vez que vou à casa de banho durante a noite, Deus acende-me a luz! O
médico calou-se mas, quando foi a vez da esposa do velhote ir à
consulta, sentiu a necessidade de a informar sobre o que o marido lhe
tinha dito.
-
Eu quero que saiba que, o seu marido está em óptima forma física mas
estou preocupado com o estado mental dele! Ele disse-me que, todas as
noites, quando vai à casa de banho, Deus acende-lhe a luz!!! - Ele disse-lhe o quê???
- Ele disse-me que, todas as noites, quando se levanta para ir à casa de banho, Deus acende-lhe a luz...
- Ahhh!!! - exclamou a velhota. Então é ele que tem andado a mijar dentro do frigorífico...!
Continuo sem computador, assim rapidinho deixo um olá e a promessa que vos visitarei assim que a tecnologia o permita.
Bom fim de semana.
...Existe um ser que mora dentro
de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso
que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem
jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por
isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha
mão. Seu focinho é húmido e fresco. Seu beijo o seu focinho.
Quando eu morrer, o cavalo
preto ficará sem casa e vai sofrer muito. a menos que ele escolha outra casa e
que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e
suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. ou
não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. se ele
fareja e sente um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e ai.
Aviso também que não se
deve temer seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesmo que
está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de
doçura do que é isto pela primeira vez.
Hoje
vimos fazer-lhe vários pedidos de ajuda! Embora alguns deles não
impliquem ajuda directa aos animais, são fundamentais para que
consigamos desempenhar o nosso trabalho com o máximo de eficiência e,
dessa forma, termos um impacto maior na qualidade de vida dos animais de
rua do nosso país.
Se puder ajudar a associação em alguma destas áreas, por favor contacte-nos para o geral@animaisderua.org. Se não puder, já estará a dar uma enorme ajuda ao divulgar este apelo junto dos seus amigos e conhecidos!
Apoio Jurídico Pro Bono
Precisamos
muito de um advogado ou sociedade de advogados (de preferência na zona
do grande Porto) que se identifique com a causa da protecção animal e
aceite dar apoio jurídico pro-bono à associação. Dada a natureza do
trabalho que realizamos, à partida este apoio não implicará demasiado
dispêndio de tempo, mas será precioso para nós.
Apoio de Contabilidade Pro Bono
Precisamos
muito de um contabilista ou empresa de contabilidade (de preferência na
zona do grande Porto) que aceite assumir a contabilidade da associação.
Uma vez que a nossa contabilidade está organizada, esta forma de ajuda
também não deverá implicar demasiado dispêndio de tempo, mas é uma área
na qual estamos também a precisar de apoio urgente.
Voluntários para os Núcleos de Lisboa-Sintra e Lagos
Os Núcleos de Lisboa-Sintra e Lagos
estão a precisar muito de novos voluntários, em diversas áreas:
capturas, boleias dos animais de e para as clínicas veterinárias,
pós-operatórios (toda a logística é assegurada pela associação), FATs
(Famílias de Acolhimento Temporário), comunicação e desenvolvimento de
projectos, apoio administrativo, etc. Se reside numa destas zonas do
país e quiser dar algum do seu tempo livre para ajudar animais em risco,
por favor contacte:
Apesar
de serem estes os dois núcleos que precisam de mais apoio de
voluntariado neste momento, os restantes núcleos também agradecem a sua
ajuda! Se residir no Porto ou Viseu e quiser juntar-se a nós, por favor contacte:
Relembramos
que, no âmbito do protocolo entre a associação Animais de Rua e a
Câmara Municipal de Cascais, a Fundação Francisco de Assis está a
esterilizar gratuitamente animais carenciados do concelho de Cascais.
Caso proteja animais de rua ou carenciados neste concelho, poderá
inscrevê-los no nosso programa de esterilizações através do formulário
online do nosso website: http://www.animaisderua.org/candidatura
Animais de Rua nos programas Praça da Alegria e Porto Alive
A
associação participou recentemente nestes dois programas de televisão,
que pode ver através dos links abaixo, ou visitando a secção de
Comunicação Social do nosso website.
Na Praça da Alegria foi feita
uma pequena reportagem sobre o nosso programa de esterilizações, numa
colónia do Parque da Cidade: http://www.youtube.com/watch?v=rXTiFKBu-tE
No Porto Alive foi feita uma entrevista sobre o protocolo entre a associação e a Junta de Freguesia de Leça da Palmeira: http://www.youtube.com/watch?v=Vs1LLoZwixE
Muito obrigada! Contamos com a sua ajuda para conseguirmos fazer cada vez mais e melhor, pelos animais!
O dia-a-dia, as contas para pagar, as reuniões, a família, o condomínio, o carro, os outros, nós próprios. Há sempre motivos para descobrir que a vida chateia.
Porém, descobri - felizmente há muito - que a vida tem muitas flores na beira da estrada, que existem pessoas que fazem coisas maravilhosas e se pensarmos nelas o mundo fica mais leve.
E, no meio de um dia chato podemos descobrir, ao olhar pela janela, um arco-iris, ou um simples pardal a saltitar.
Com efeito são muitas as coisas que nos podem fazer sorrir, não apagam as mágoas, nem as coisas que nos fazem chorar, mas libertam e aliviam a pressão que por vezes se faz sentir sobre o coração...
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua historia
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua historia
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz Letra: Almir Sater
Obrigada a todas e todos (agora tem que se dizer assim...) os que aqui passaram enquanto a gripe me visitou.
Já me ri com os vossos comentários ao post anterior. Teremos ue reconehcer que tem humor. Claro que foi feito por um homem, mas uma mulher com humor também o poderia ter feito.
Não sou feminista e por isso não me sinto atingida. Acho ou não graça a algumas das piadas ditas "machistas".
Entretanto para os que acompanharam a história do gato salvador deixo-vos um vídeo - não é chocante - que mostra a capacidade de recuperação dos animais, acho que já o ouvi ronrar...
mais uma vez obrigada a todos os que contribuíram para ajudar o salvador e um Bem Haja à equipa da Animais de Rua.
Notícias do gato Salvador
Trazemos excelentes notícias sobre o Salvador!
Está
a recuperar muito bem, tanto dos danos físicos como psicológicos! Aos
poucos começa a confiar novamente nas pessoas e tudo indica quepoderá
em breve ser adoptado por uma família que o faça esquecer o sofrimento
por que passou. Já várias pessoas que se ofereceram para lhe dar um lar!
:)
A despesa veterinária está já
completamente saldada e muitos padrinhos foram encaminhados para outros
animais que, graças ao Salvador, tiveram a oportunidade de serem
esterilizados e de terem melhor qualidade de vida! Este pequeno herói
foi, literalmente, o salvador de muitos outros gatos e cães que, como
ele, tiveram o azar de ter a rua como lar.
Fizemos um pequeno filme em
homenagem a todas as pessoas que se sensibilizaram com o caso do
Salvador e se ofereceram para o ajudar, e que poderá ser visto aqui: http://www.animaisderua.org/esterilizados/gatos/Salvador (tem som). Esperamos que gostem!!
Agradecemos que enviem estas notícias a
todas as pessoas a quem enviaram o apelo do Salvador, para que conheçam o
desfecho da história dele. Uma vez mais se prova que, quando várias
pessoas se unem por uma causa comum, não há limites para o que podemos
alcançar!
http://www.animaisderua.org/ Ajude sempre que puder, nem que seja com 1 euro. Já imaginou o que esta equipa fazia se recebesse um euros de todos os seus leitores...
Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado,
ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais - o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar
pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter Tratado geral das grandezas do ínfimo, Editora Record - 2001, pág. 43
Todos os dias nos
cruzamos com animais vítimas de abandono, de negligência e de maus tratos, mas
o Salvador foi vítima da mais grave crueldade deliberada que já nos passou
pelas mãos.
Recebemos um apelo
desesperado da cuidadora de uma pequena colónia em Leça da Palmeira (concelho
de Matosinhos), dizendo que tinha lá sido abandonado um gato gravemente ferido.
Uma voluntária dirigiu-se de imediato ao local e encontrou o Salvador com um
ferro espetado e torcido à volta do dorso, esmagando-lhe os orgãos internos.
O Salvador tinha
tentado desesperadamente tirar o ferro, ferindo-se com gravidade numa das
patas. Já se encontrava no local há alguns dias e a cuidadora já se tinha
dirigido a várias pessoas e instituições, nomeadamente uma clínica veterinária
localizada perto da colónia, mas tinha-lhe sido recusada qualquer ajuda.
O Salvador estava tão apavorado que não se
deixava tocar, mas felizmente entrou na armadilha de CED que a voluntária
trazia consigo. Foi de imediato levado a uma das clínicas veterinárias que tem
protocolo com a Animais de Rua e, depois de estabilizado, será operado e
esterilizado.
Precisamos de padrinhos de tratamento para o
Salvador, uma vez que as despesas veterinárias ascenderão a, pelo menos, 250€.
O caso do Salvador consternou toda a equipa da
Animais de Rua. Todos os dias assistimos a gestos de generosidade das pessoas
que nos enchem o coração, mas este caso não pode deixar de nos fazer perder um
pouco a fé no ser humano.
Actualização: A 13.01.2011, o Salvador foi
submetido a uma cirurgia para remoção do ferro e da pele necrótica e amputação
de dois dedos da pata com que tentou retirar o ferro e que se encontravam completamente
desfeitos. Foi-lhe também detectado um chumbo numa das patas. Aproveitou-se a
anestesia para o esterilizar. O Salvador encontra-se agora internado na
clínica, onde o espera um pós-operatório longo e difícil. Se tudo correr bem,
poderá um dia ser adoptado e levar uma vida normal, mas para já o seu
prognóstico é reservado.
Sempre detestei ter que "fazer conversa" ou "deitar conversa fora" como dizem os brasileiros...
Passa-se o mesmo com a escrita. Não ando inspirada. Faltam-me as palavras. Não consigo falar mais de política, nem da crise, nem de histórias cheias de nem sei o quê, como o caso do cronista e do rapaz que achava que ia para o EUA, ficava hospedado num hotel de luxo, com tudo pago e que isso era tudo gratuito... Nunca ouviu a frase "não há almoços grátis!".
A história do nome da filha de Luciana Abreu e do futebolista também já me cansou por ser cheia, ou vazia de qualquer coisa.
Certamente que o erro está em mim. Os adolescentes têm por hábito acharem cromos todos os que os rodeiam, esquecendo-se que os cromos são eles próprios. Talvez seja o meu caso...
Gostava de escrever algo sobre dignidade, de uma forma simples, mas que as palavras chegassem ao até todos.
Só queria que o meu país tivesse dignidade. Os políticos eleitos defendessem realmente o seu povo; os empregados e gestores dessem o seu melhor para que a produção aumentasse, que as pessoas parassem de se fazer de vítimas e de choradinhos e começassem realmente a trabalhar e não a pedir subsídios. Que os velhos não precisassem de contar moedas para comprar o pão... Enfim, que cada um de nós fosse mais digno.
(No outro dia falava com uma amiga que é médica num populoso centro de saúde. Falávamos sobre dignidade - de como a sociedade, leia-se políticos, roubou a possibilidade dos idosos poderem viver com dignidade - e ela disse-me: sabes como vejo a dignidade? - quando peço aos meus doentes para levantarem a camisola para os auscultar, vejo velhinhas com combinações de seda tão passajadas, tão cozidas, mas ainda assim tão arranjadinhas. Levantam a camisola e baixam os olhos, para que não possa ver nos olhos o que o auscultador não deixa transparecer. Depois chegam outras, arrogantes, a gritar, a exigir, sem o mínimo de educação e respeito...).
Também a propósito de dignidade, ou falta dela, falava com uma tia sobre como se vive agora lá na aldeia.
Dizia-me- sabes filha, agora já há um Centro de Dia e há a Associação (e eu tentava perceber o que era a associação...). A associação faz comida barata para os pobres e os velhos. por 2,5€ podes levar uma boa dose para casa.
-E a comida é boa tia?
- eu não vou lá. o tio não quer. Ainda podemos pagar, mal mas cá nos arranjamos. E depois lá ir é triste. Os ricos cá da aldeia enchem a boca que vão lá buscar comida, com cinco euros têm almoço para a família. Como eles são a Menina F; a Senhora M. e etc.. o melhor bocado é para eles, e os velhos ficam com os restos. Ah! a dignidade, pensei.
-Tia, mas a junta de freguesia não faz nada? não deveriam pagar mais pela comida, essas que podem?
- A junta também de lá come!
- tia mas agora que o F. está desempregado porque não vai lá de vez em quando? ah! não, ainda a minha mãe dava voltas na campa se soubesse que a filha andava de mão estendida!
Como percebem, não consigo escrever nada de jeito ou coerente.
Dizem os sábios "quando as palavras que vais dizer não são mais bonitas que o silêncio, cala-te!"
O novo acordo não o previa..... mas com a língua de Camões, não se brinca.
Com a palavra os professores de língua portuguesa: Antonio Oirmes Ferrari, Maria Helena e Rita Pascale
Queridos Amigos,
Tenho notado, assim como aqueles mais atentos também devem tê-lo feito, que a candidata Dilma Roussef e seus sequazes, pretendem que ela venha a ser a primeira presidenta do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política veiculada pelo PT na mídia.
Presidenta???
Mas, afinal, que palavra é essa totalmente inexistente em nossa língua?
Bem, vejamos:
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante...
Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha.
Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.
Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta."
Opinião, por ZITA SEABRA in Jornal de Notícias, 26.12.2010
Três dias antes do Natal, assistia calmamente ao Telejornal da RTP1 quando vi a grande notícia da noite. Entre os atentados em Bagdade e as agências de rating, uma voz off anuncia o que as câmaras filmam: o presidente da maior empresa pública portuguesa a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal. Fiquei comovida. Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa?
Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise. A RTP, Telejornal à hora nobre, filma o comovente gesto. Em off, o locutor explica o sentido dizendo que alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.
Primeiro, pensei que estava a dormir e um pesadelo me fizera voltar ao tempo de Salazar, à RTP a preto e branco ou à série da Rita Blanco «Conta-me como foi».
Mas não, eu estava acordada e a ver o presidente da EDP no Telejornal da RTP 1 (podem ver o filme na net) posar sorridente para as câmaras, a levar um saquinho a um caixote, que não era de lixo, mas de oferta.
Por acaso, estava à porta da EDP a RTP a filmar o gesto. Iam a passar e filmaram, certamente, porque para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva. Um velhinho num lar de Vila Real
vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego... Mentalidade herdada do Estado Novo, foi a minha primeira análise, teorizando imediatamente que os ricos em Portugal, os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê, são os mesmos com a mesma mentalidade salazarenta.
Mas nem é verdade, pois, mesmo nesse tempo, as senhoras do regime organizavam enxovais novos nas aulas de lavores do meu liceu para dar no Natal aos pobres que iam nascer.
Tantos assessores de imprensa na EDP, tantos assessores na Fundação EDP, milhões de euros gastos em geniais campanhas de marketing, tantas cabeças inteligentes diariamente pagas para vender a imagem do presidente da EDP, tudo pago a preço de ouro, e não concebem nada melhor do que mandar (!?) filmar, no espaço do Telejornal mais importante do país, um gesto indigno, triste, lamentável, que envergonha quem vê. Não têm vergonha? Não coraram? E a RTP que critérios usa no Telejornal para incluir uma notícia?
Há uns meses escrevi ao presidente da EDP e telefonei-lhe mesmo, a pedir ajuda da empresa para reparar a velha instalação eléctrica, gasta pelo uso e pelo tempo, de uma instituição, onde vivem 40 adultas cegas e com deficiências e que têm um dos mais ricos patrimónios culturais do país. A instituição recebeu meses depois a resposta: a Fundação EDP esclarecia que esse pedido não se enquadrava nas suas atribuições. Agora percebi. Pedia-se fios eléctricos, quadros eléctricos novos e lâmpadas novas. Devia-se ter escrito ao senhor presidente da maior empresa (pública) portuguesa, com os maiores prémios de desempenho, cujo vencimento é superior ao do presidente dos Estados Unidos, para que oferecesse uma lâmpada em segunda mão, que ainda acendesse e desse alguma luz.
Talvez assim mandasse um dos seus motoristas, com um dos geniais assessores de imprensa e um dos fantásticos directores de marketing, avisar a RTP (a quem pagamos uma taxa na factura da luz) para virem filmar a entrega da lâmpada num saquinho de papel.
2011 anuncia-se um ano duro para os portugueses e sê-lo-á tanto mais quanto os responsáveis pelo estado a que se chegou não saírem da nossa frente.
Zita Seabra